segunda-feira, 6 de junho de 2011

“Guardião” transferido de estaleiro para recheio e acabamento final

O casco e superestrutura do navio patrulha “Guardião” já estão concluídos e foram transferidos do estaleiro da MADE, em Mordjik, para o estaleiro central da DAMEN em Gorinchem ( cidades da Holanda) para recheio e acabamento final. Moderno, equipado com tecnologia de ponta, veloz e adaptado para navegar com a máxima segurança e em qualquer estado de tempo prevalecente, esse barco que vai patrulhar as águas sob jurisdição cabo-verdiana, a nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE) nesse vasto Oceano Atlântico, está também dotado de um sistema comunicação à altura das suas responsabilidades.

 “Guardião” transferido de estaleiro para recheio e acabamento final

A equipa técnica - constituída pelo coordenador geral da Segurança Portuária, comandante António Cruz, engenheiro João Pires ( Enapor), e o Tenente Coronel António Duarte Monteiro, comandante da Guarda Costeira - designada para acompanhar a construção do navio patrulha “Guardião” nos estaleiros da Damen na Holanda, testemunhou no passado dia 1 de Junho o primeiro contacto do navio com a água.
De acordo com António Cruz, o casco e superestrutura do navio “Guardião” foram concluídos no estaleiro naval da Made. Agora mudam-se para o estaleiro central da Damen, para receber a maquinaria e equipamentos electrónicos, cabelagem, tubaria, forragem e pintura. Os testes de estabilidade e outras provas no mar devem acontecer no próximo mês de Dezembro.
As provas de estabilidade, velocidade, manobra e de comportamento do navio no mar serão acompanhadas pela tripulação do navio - a Guarda Costeira Nacional. António Cruz confirma a chegada do navio em Janeiro de 2012, no Porto de Registo - Porto Grande do Mindelo, onde a tripulação holandesa procederá a sua entrega oficial.
“Este projecto espelha as boas relações de cooperação e representa a conjugação de esforços entre os governos da Holanda e de Cabo Verde. Orçado em 10.9 milhões de Euros, o navio é co-financiado pelo Governo de Cabo Verde, Enapor e ORET - Cooperação Holandesa”, assevera.
Trata-se de um navio com 50 metros de comprimento, que pode atingir até 23 milhas náuticas por hora, podendo navegar em condições de segurança no estado de tempo e de mar prevalecentes na ZEE Cabo Verde. O "Guardião" será dotado de quatro motores Caterpillar com funcionamento independente, o que lhe confere redundância na sua operação e exploração. O navio será igualmente dotado de dois bowtruster independentes, ficando com um grande poder de manobrabilidadede.
O "Guardião", acrescenta Cruz, será também dotado de estabilizadores que garantem à tripulação um conforto adequado, navegando com vento fresco e mar cavado. Além de alojamento para a guarnição, o navio terá um salão confortável, com capacidade para 72 pessoas.

Alta tecnologia e embarcação semi-rígida

No cumprimento das suas missões, o Guardião contará com uma embarcação semi-rígida, rápida, que poderá atingir 36 nós, com capacidade para 18 pessoas. A nivel de navegação, o navio terá equipamentos da mais alta tecnologia ergonómicamente bem localizados, permitindo deste modo um fácil manuseamento por parte dos operadores. Equipamentos modernos, com tecnologia de ponta garantem a esse barco que vai patrulhar as águas sob jurisdição cabo-verdiana, a nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE) nesse vasto Oceano Atlântico, uma comunicação rápida e à altura das suas responsabilidades.
Para fazer face a incêndios contra terceiros o "Guardião" contará com uma agulheta auxiliada por uma bomba com capacidade para 120 metros cúbicos de água por hora. A nivel de proteção e no quadro do Codigo ISPS, o navio terá um sistema de vigilância electrónica interna e externa, composta por 12 câmaras, sendo 8 no interior e 4 no exterior.
“O Guardião terá uma autonomia superior a 2000 milhas náuticas e uma capacidade de água para 27.5 tons, podendo, quando a navegar, produzir a sua própria água, pois será dotado de um désalinizador com capacidade para 3 tons/dia”, afirma o comandante António Cruz.
Em jeito de remate, o comandante afiança que essas características permitirão ao navio desenvolver toda a actividade da Guarda Costeira na ZEE de Cabo Verde, designadamente: busca e salvamento, fiscalização, combate ao tráfego ilícito, pesca ilegal, entre outras.

Promoção de Cabo Verde a PDM pode aumentar crédito para 110 milhões de euros

A promoção de Cabo Verde para país de rendimento médio deverá permitir que a carteira de projectos junto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) passe dos 64,65 milhões de euros para cerca de 110 milhões. Cristina Duarte, ministra das Finanças e do Planeamento de Cabo Verde, que estará presente na reunião que a instituição realiza a partir desta segunda-feira (6 a 10) em Lisboa, sublinha que o BAD é já um "parceiro incontornável" do arquipélago, na modernização e infra-estruturação do país

A carteira activa deverá em breve subir para o limite de 110 milhões de euros, garantiu à Lusa fonte do Ministério das Finanças, no quadro da execução de vários projectos estruturantes em curso em Cabo Verde.
Do valor total dos projectos em curso, 80 por cento estão divididos entre a ajuda orçamental, infra-estruturas e os sectores rural e social.
Os dados são oficiais e do próprio BAD em Cabo Verde, onde fonte da instituição lembrou à Agência Lusa que o banco chegou ao país em 1975, entrando realmente na economia dois anos mais tarde, e que aprovou, desde então, 39 operações, num montante líquido de 164,28 milhões de UC (unidades de conta), o que equivale a 185 milhões de euros.
Os projectos financiados pelo BAD, tais como a construção do Aeroporto Internacional da Praia, as Bacias Hidrográficas de Picos e Engenhos, a Central Única de Santiago, entre outros, têm contribuído grandemente para a melhoria das infraestruturas e da competitividade económica do país, admitiu a fonte.
Cristina Duarte, ministra das Finanças e do Planeamento de Cabo Verde, que estará presente na reunião que a instituição realiza a partir desta segunda-feira (6 a 10) em Lisboa, sublinha que o BAD é já um "parceiro incontornável" do arquipélago, na modernização e infra-estruturação do país.
A ministra lembrou que, já como País de Rendimento Médio (PRM, a que ascendeu em 2008 e cujo período de transição termina em 2013), Cabo Verde passou a ter acesso tanto aos financiamentos não-concessionais do BAD, como aos financiamentos concessionais do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD).
Nesta qualidade, o limite de crédito para Cabo Verde junto do BAD é de aproximadamente 98 milhões de UC (cerca de 110,38 milhões de euros) para o período 2009-2013. Simultaneamente, o país mantém o acesso ao saldo total de sete milhões de UC (cerca de 7,88 milhões de euros) no quadro do FAD XI.
A actual estratégia do banco para Cabo Verde, tal como disse à Lusa em Abril de 2010 o director-geral do BAD, Donald Kaberuca, "vai ao encontro das ambições de desenvolvimento" do país e procura atenuar o impacto da crise financeira internacional.

domingo, 5 de junho de 2011

AfroSondagem: Sondagem dá maioria absoluta a Ulisses na Praia

Se as eleições autárquicas fossem hoje, Ulisses Correia e Silva venceria a Câmara Municipal da Praia com 60 por cento dos votos, conclui um estudo de opinião realizado em Abril pela Afrosondagem. O inquérito de opinião, que incidiu sobre o desempenho da equipa camarária da capital, revela ainda que o actual presidente da CMP tem um índice de notoriedade superior a 90 por cento, mas que os seus vereadores vêem decrescer a respectiva popularidade.

AfroSondagem: Sondagem dá maioria absoluta a Ulisses na Praia
Ulisses Correia e Silva parece em vantagem na grelha de partida para as eleições autárquicas de 2012. O actual presidente da Câmara Municipal da Praia surge destacado nas intenções de voto no principal concelho do país, conforme um estudo de opinião realizado em Abril pela Afrosondagem. O inquérito concluiu que, se as eleições municipais fossem hoje, Ulisses Correia e Silva renovaria o seu mandato, vencendo com 60 por cento dos votos, contra 17 por cento da população que prefere votar noutro candidato. Os indecisos situam‑se na casa dos 20 por cento.
Segundo a Afrosondagem, com este score Ulisses Correia e Silva aumentou em cerca de 13 pontos percentuais as probabilidades de ganhar as autárquicas se comparado com os números de 2009, quando obteve 49 por cento das intenções de voto. Com efeito, Ulisses parece confortável para vencer folgado em todas as regiões do concelho, com maior margem na zona centro‑este (65%) e oeste (64%). Na zona Norte (62%) e Sul (57%) os indicadores são também expressivos.
Vale ainda assinalar que o score do actual presidente da Câmara Municipal da Praia aumentaria em todos os escalões etários, num intervalo que se situa entre seis pontos percentuais e 31 pontos percentuais. O crescimento mais enérgico verifica‑se entre os mais jovens (18 a 24 anos), escalão onde passa de 28 por cento para 59 por cento. De acordo com este estudo de opinião da Afrosondagem, o aumento mais fraco nas intenções de voto a favor de Ulisses Correia e Silva nota‑se nos cidadãos entre os 45 e os 54 anos, onde cresce apenas 6% – de 54 por cento, em Dezembro de 2009, para 60 por cento actualmente.
Entretanto, é de salientar que esta sondagem foi feita sem se conhecer ainda os nomes dos potenciais adversários de Correia e Silva na disputa pela Câmara Municipal da Praia, o que poderá alterar para mais ou para menos as intenções de voto no candidato do MpD.
Seja como for, a verdade é que, segundo a Afrosondagem, o presidente da CMP continua com o índice de notoriedade em alta na Praia, “provavelmente, devido ao seu desempenho na Câmara”. De acordo com os resultados do inquérito da Afrosondagem, 93% dos munícipes identificam correctamente quem é o seu Presidente da Câmara Municipal.
Quando comparada com o estudo de Dezembro de 2009, a notoriedade de Ulisses Correia e Silva oscilou negativamente em cerca de três pontos percentuais. Mas, ressalva a Afrosondagem, “qualquer que seja o estrato, existe um conhecimento elevado sobre quem é o presidente. Os idosos e os indivíduos sem nenhuma instrução parecem saber numa proporção ligeiramente inferior quem é o presidente”.
Se Ulisses está bem cotado e é massivamente conhecido dos munícipes, o mesmo não se verifica em relação aos seus vereadores, que parecem andar em contra‑mão. O estudo da Afrosondagem revela que o nível de notoriedade dos restantes membros da equipa camarária continua baixo, com apenas 23 por cento dos cidadãos residentes na capital a indicar correctamente o nome de um vereador. Pior, se comparado com a sondagem de há dois anos: nota‑se que o grau de notoriedade dos vereadores da CMP diminuiu em cerca de 9 pontos percentuais.
Avaliação do Presidente
A avaliação do trabalho desenvolvido até aqui por Ulisses Correia e Silva mostra que os praienses estão contentes com o seu presidente de Câmara. Segundo a Afrosondagem, 9 em cada 10 munícipes atribuem nota positiva ao desempenho do edil praiense, ou seja 90 por cento da população. Destes, metade (50%) consideram excelente a actuação do presidente da CMP, um aumento de cerca de 18 pontos percentuais em relação ao inquérito de Dezembro de 2009. Para além destes, 40 por cento da população da Praia entende que a performance de Ulisses deve ser classificada como razoável e apenas 7 por cento avaliam‑na de forma negativa.
Numa análise mais pormenorizada, verifica‑se que o trabalho desenvolvido pelo presidente da CMP continua a ser melhor avaliado entre os indivíduos do sexo masculino, com idade mais avançada e detentores de um nível secundário e pós‑secundário. Os níveis de aprovação entre os cidadãos com o pós‑secundário é massivo: 98 por cento.
Relativamente às expectativas, os resultados também indicam uma grande evolução. Enquanto que, em Dezembro de 2009, cerca de 44 por cento dos inquiridos se declaravam contentes com o desempenho de Ulisses Correia e Silva, em Abril deste ano esta satisfação subiu para 70 por cento, um crescimento na ordem de 26 pontos percentuais. Na mesma medida, diminuiu de forma sgnificativa a proporção dos que se sentiam desiludidos, passando de 21 por cento, em Dezembro de 2009, para 9 por cento em Abril deste ano. Segundo o estudo da Afrosondagem, os praienses consideram hoje que Ulisses tem vindo a melhorar substancialmente o seu desempenho, em comparação com o seu primeiro ano de mandato. Assim, 80 por cento da população declara que tem sido melhor/muito melhor a actuação do edil, especialmente nas zonas centro e oeste, com 86%, seguidos pela zona norte com 83%, contra os 72% registados na zona sul do concelho da Praia. A avaliação actual da performance do presidente da CMP é considerada melhor do que no seu primeiro ano de mandato por 91 por cento dos indivíduos com o pós‑secundário, contra 70 por cento dos indivíduos sem instrução. Este indicador continua a ser mais elevado entre os indivíduos do sexo masculino, com idade entre os 25 e os 34 anos e empregados.  
Obras
  O calcetamento/arruamento (43%) e a recolha de lixo (40%) destacam‑se, claramente, no momento de avaliar a Câmara Municipal da Praia, já que são referenciados como as áreas em que a autarquia tem tido um desempenho mais positivo. A seguir, os munícipes apontam a construção de placas desportivas e de lazer (30%), o ordenamento e controlo dos mercados (23%) e o embelezamento da cidade (18%) enquanto áreas de melhor intervenção da Câmara Municipal da Praia.
Segundo a opinião expressa pela maioria dos munícipes, as obras realizadas pelo actual executivo camarário mostram uma elevada qualidade e merecem aprovação. Assim, 8 em cada 10 praienses consideram que as obras concluídas possuem uma boa qualidade, especialmente a transformação da Rua 5 de Julho em via pedonal (87%) e a construção dos espaços de ginástica ao ar livre (84%). Para além destas obras, também conquistaram a simpatia dos cidadãos a asfaltagem da rua principal do bairro da Achada Grande Frente, a construção de casas sociais, o calcetamento dos bairros, a construção das protecções nas encostas e a construção dos polidesportivos. Segundo a Afrosondagem, esta avaliação positiva da qualidade das obras da CMP é notória em todas as zonas da capital e é partilhada por indivíduos de todos os estratos sociais.
Importa realçar ainda que 4 em cada 10 inquiridos consideram que não existe nenhum aspecto negativo no desempenho da Câmara liderada por Ulisses Correia e Silva. Ainda assim, são referidos muitos aspectos menos bons da CMP, como a criação de emprego (17%), o apoio aos pobres/carenciados (15%) e a fiscalização (14%). A autarquia praiense é criticada ainda no que diz respeito à iluminação pública (11%) e a segurança (10%), curiosamente sectores com elevado peso no nível de conforto da população. A criação do emprego (45%) e o apoio aos pobres/carenciados (40%) continuam a ser, segundo a opinião expressa pelos munícipes, as áreas em que a CMP deveria dar mais atenção e apoiar em primeiro lugar.
Os resultados do estudo de opinião realizado pela Afrosondagem indicam ainda que a avaliação que os munícipes fazem dos diferentes serviços da CMP é bastante aceitável. Praticamente, em todos os domínios analisados pelo estudo da Afrosondagem o saldo entre as respostas positivas e negativas é favorável. “Um cenário muito mais encorajador do que o registado no final do primeiro ano de mandato desta equipa camarária”, sublinha a empresa responsável por esta sondagem.
Na verdade, salienta o estudo, constata‑se que a avaliação negativa diminuiu consideravelmente em todos os serviços, relativamente ao mês de Dezembro de 2009. Os serviços em que os munícipes avaliaram a câmara mais positivamente são os do saneamento e do urbanismo, sendo o do saneamento aquele que apresenta o melhor indicador. O sector da promoção social – “que tradicionalmente é avaliada de forma negativa devido à enorme demanda pelos serviços de apoio por parte da população mais carenciada” – colhe desta feita boas referências junto dos munícipes, acontecendo o mesmo com o sector da fiscalização, área crítica da CMP.
No geral, o Gabinete do Presidente é o único serviço onde mais de metade dos inquiridos não souberam fazer uma avaliação, enquanto 19 por cento acha que tem trabalhado bem, 20 por cento classificam‑na como razoável e apenas 6 por cento dos praienses afirmam ser péssimo o serviço do Gabinete do presidente da CMP.
FICHA TÉCNICA
A Afrosondagem realizou 1.492 inquéritos a indivíduos com 18 anos e mais, no seio de agregados familiares. Os resultados são representativos para as cinco zonas administrativas do concelho da Praia, ou seja, as zonas norte, oeste, leste, centro e sul. A recolha de dados foi realizada por entrevista directa nos dias 16 e 17 de Abril. A amostra é aleatória segundo o método multi‑etápico com tiragem sistemática e apresenta um erro relativo de 3.5%, para um intervalo de confiança de 95%.  

JMN: “Rede rodoviária moderna e requalificação urbana do país são prioritárias nesta legislatura”

O primeiro-ministro José Maria Neves assegurou hoje em Santo Antão, no acto de inauguração da primeira fase da estrada Porto Novo/ Ponto Sul (asfaltada até Fundão), que o governo está empenhado em dotar o país de infra-estruturas rodoviárias modernas para desencravar várias localidades que ainda não têm acesso a estradas. A requalificação urbana é outra vertente a ser priorizada com a elevação de vários povoados em Cabo Verde a categoria de vila.

Apesar da existência ainda de 11 quilómetros de estrada contemplados no projecto e sem calcetar até Campo Redondo , JMN admite que é preciso continuar na busca de recursos para chegar a estrada até Tarrafal de Monte Trigo.
É que no entender do governante, a competitividade em cada uma das ilhas depende das facilidades que existirem nelas para o escoamento dos seus produtos e circulação de pessoas, e isso só é possível onde existir redes rodoviárias modernas.
Essa competitividade, refere JMN, para além de estradas, deve ser articulada com infra-estruturas portuárias e aeroportuárias e é por isso que o governo mobilizou cerca de 300 milhões de euros para a modernização dos portos, entre eles o porto da ilha que deve ficar totalmente ampliado e remodelado já no próximo ano.
Para acudir a uma reivindicação antiga dos munícipes da cidade e do edil do Porto Novo, Amadeu Cruz, acerca da ampliação da rede de esgotos, o PM anunciou que em articulação com as autarquias o governo pretende elevar vários povoados do país à categoria de vila.
Nesta base, pontua, está em marcha um plano de requalificação urbana e de desenvolvimento tanto das vilas como das cidades, onde inclui redes de saneamento e habitações condignas para os moradores.
Particularmente em Porto Novo, o governo anunciou que já encontrou uma linha de crédito para a ampliação da rede de esgotos da cidade.

Lúcio Antunes: “Podemos enfrentar qualquer equipa de igual para igual”

A selecção nacional de futebol defronta a Libéria este domingo, 5, (15 horas de Cabo Verde) em jogo da quarta jornada do Grupo 1, com vista a um inédito apuramento para a CAN 2012. Daí o seleccionador nacional, Lúcio Antunes, considerar o jogo como o mais importante nesta fase. Por uma razão muito simples: Cabo Verde tem que se manter no primeiro lugar do grupo. Numa entrevista exclusiva concedida ao LANCE horas antes de rumar a Monróvia (capital da Libéria), Lúcio mostra-se confiante na vitória, e bom desempenho dos seus pupilos que querem dar mais uma alegria aos cabo-verdianos.

Lúcio Antunes: “Podemos enfrentar qualquer equipa de igual para igual” 
 
Antes do jogo na Várzea, o Lúcio disse que a estratégia para vencer seria a união do grupo. Agora, na Libéria, qual será a fórmula para Cabo Verde continuar na linha da frente na CAN 2012?
Cabo Verde deve voltar a aproveitar o que tem como mais mais-valia: ser inteligente, unido e ambicioso. Só assim vamos conseguir os três pontos. A união do grupo já é um ponto assente, apesar de termos vários jogadores jovens. Mas também há aqueles que se conhecem de várias andanças, o que lhes permite entender a forma de estar e de jogar de uns e outros.
Este é o jogo decisivo nesta fase de qualificação?
Sim. Não só por ser o próximo, mas também porque queremos terminar a quarta jornada na primeira posição. No sprint final, quem estiver mais perto da meta terá mais possibilidades de chegar ao primeiro lugar.
Como é que está a gerir o entusiasmo dos jogadores?
Estão confiantes, apesar de conscientes de que não somos favoritos no grupo. Mas vamos à Liberia dispostos a enfrentar qualquer equipa de igual para igual. Aliás, nós abordamos todos os jogos da mesma forma, com optimismo porque só assim podemos conquistar os três pontos. Ainda não ganhámos nada, e só podemos dar valor ao que já fazemos, se continuarmos a dar uma boa resposta em campo.
Uma das vantagens foi ter aproveitado a base deixada pelo João de Deus?
Naturalmente que sim. O grupo criado por ele tinha muita qualidade e achámos por bem aproveitar essa mais-valia. Mas melhorámos algumas coisas. É assim que as equipas funcionam, juntando o trabalho de outros jogadores e de outras equipas técnicas. A selecção de Cabo Verde não começou nem vai terminar com o Lúcio Antunes. Temos de louvar o trabalho de João de Deus, Alexandre Alhinho, Eduíno, Lima, Toca, Armandinho, entre outros bons treinadores que passaram pela selecção de todos nós.
Tem falado com o João de Deus?
Não falo com ele há muito tempo, mas tenho falado com o Armandinho, Eduíno, Óscar Duarte, entre outros ex-treinadores da selecção. Dizem sempre que a equipa tem valor e que temos que continuar a trabalhar com seriedade porque só assim podemos conseguir os nossos objectivos.
Na sua primeira convocatória para a selecção, o Valdo não respondeu à chamada. Conta com ele nas convocatórias seguintes?
Não. Nem ele nem outros que, anteriormente, mostraram indisponibilidade. Queremos contar com este grupo, que já fez muitas coisas bonitas.
Outro jogador que recusou entrar para a selecção foi o Ricardo. Depois disso, falou com ele?
Por acaso não. A última vez que falámos foi logo após a sua renúncia. Mas elementos da FCF têm falado com ele. Está muito satisfeito com o nosso percurso, envia-nos mensagens a desejar boa sorte. Respeitamos e compreendemos a sua decisão, já que foi tomada com a sua família e depois de pensar muito. O Ricardo sempre deu o seu máximo, mas acho que não há possibilidades de ele voltar a jogar na selecção.
Para o jogo com a Libéria, há sete jogadores com 30 ou mais anos de idade e há muito tempo que a selecção de sub-21 não compete. Isso preocupa-o, tendo em conta a necessária renovação do combinado principal?
Naturalmente, pois são os jogadores dos sub-21 que alimentam a selecção principal. Ainda assim, a equipa está numa fase de renovação. Temos vários jogadores que vieram das camadas jovens e que estão com menos de 25 anos.   E vai observando os jogadores que evoluem no campeonato nacional?
Nas duas primeiras jornadas vi três jogos e vi jogadores com muita qualidade, que temos seguido atentamente. Não vale a pena avançar nomes agora, para não lhes criar expectativa. Certo é que há muita qualidade nos jogadores que actuam em Cabo Verde. Mas para se chegar à selecção é preciso um percurso. Temos elementos da equipa técnica a observar em São Vicente, na Praia, além de colaboradores em todo o país que nos dão informações dos jogadores referenciados.
Uma das apostas do Lúcio tem sido a formação de treinadores…
No projecto da selecção, de 2008 a 2014, há um item sobre a formação para técnicos, a que damos muita importância. Já formamos treinadores em São Nicolau, Maio, Santo Antão, a próxima ilha será o Fogo. Também o staff técnico da selecção já esteve no Egipto e Marrocos para cursos e estágios, que os muniram de ferramentas indispensáveis para quem pretende forjar atletas de alta competição e formar homens. Mais: criamos agora um departamento de observação dos adversários, que começou a funcionar no jogo Mali - Zimbabué. Também fazemos observação dos nossos próprios treinos para posteriormente podermos corrigir algumas lacunas.
O que é que o presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, tem dito aos jogadores e a si?
Confiança total! O presidente, como primeiro mentor, sempre acreditou neste projecto e encontrou muita ambição em todos nós. Mas temos de trabalhar com dedicação, humildade e sempre com os pés bem assentes na terra porque ainda não ganhámos nada.
O facto de poder contar com um salário fixo dá-lhe mais responsabilidades? Melhora o seu desempenho na selecção?
A minha qualidade e a dos outros elementos da equipa técnica não pode ser medida em função de estar a receber ou não. A qualidade tem de vir da formação e do estudo diário. É claro que ao nos dedicarmos a 100% ao futebol cabo-verdiano temos mais tempo para estudar e ajeitar a nossa selecção, observar as outras equipas, comunicar e ganhar experiência. Com isso, temos mais vontade de trabalhar e quem sai a ganhar é o futebol de Cabo Verde.
Alguma equipa já lhe ofereceu mais dinheiro que a selecção para trabalhar para ela?
Não. O meu projecto passa pela selecção. A FCF convidou-me para liderar este projecto e estou aqui de corpo e alma. 
Como é que viu o gesto do Rolando, que levantou a bandeira de Cabo Verde depois da vitória do Porto na Liga Europa?
Foi um gesto bonito, porque ele é cabo-verdiano e sente o seu país. Foi uma grande homenagem à sua família e aos seus amigos. Fiquei contente e gostaria de o ver mais vezes no pódio e com a bandeira nacional.
Acha que com essa manifestação de orgulho pelas suas raízes, Rolando pode levar outros jogadores cabo-verdianos que evoluem no estrangeiro a interessar-se mais pelo seu país e pela sua selecção?
Pode ser, mas queremos contar com os jogadores que sintam Cabo Verde, mesmo não mostrando a nossa bandeira.
O que falta ao futebol cabo-verdiano para crescer mais?
Falta sobretudo mais competitividade nos campeonatos, mais formação para os treinadores. Falta um campeonato mais longo e jogadores com mais tempo para trabalhar nos seus clubes, porque há muita potencialidade no futebol cabo-verdiano.
Este ano os treinadores de Santiago Norte criticaram os seus jogadores pelo uso abusivo do álcool, que pesou na qualidade do futebol praticado nessa região desportiva. Como é que o seleccionador nacional vê esta situação?
O álcool é um mal social em Cabo Verde, não é só no futebol. Como seleccionador, é com alguma apreensão que vejo essas situações no futebol nacional. Mas ainda bem que este mal ainda não chegou à selecção: a maior parte dos jogadores não usa álcool e aqueles que usam, fazem-no com moderação.
Qual é a mensagem que deixa aos cabo-verdianos que irão torcer por uma vitória na Libéria?
Que confiem nos jogadores, porque fazem tudo para representar Cabo Verde dignamente. Vamos lutar com todas as nossas forças para trazer uma vitória, apesar de sabermos que não vai ser fácil. Mas se depender de nós, ultrapassaremos, com certeza, mais este obstáculo difícil.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sondagem: PSD reforça vantagem sobre o Partido Socialista

Passos Coelho vence Sócrates

O PSD deverá ser o partido mais votado nas eleições de domingo e Pedro Passos Coelho será provavelmente o próximo primeiro-ministro de Portugal. A sondagem CM/Aximage atribui 36,3% das intenções de voto ao partido laranja e 30,1% aos socialistas.
 
Um quadro de maioria parlamentar será alcançado com a coligação entre o partido liderado por Pedro Passos Coelho e o CDS-PP, de Portas, que surge com uma votação reforçada. Os deputados eleitos dos dois partidos da direita parlamentar deverão garantir uma ampla maioria.
A esquerda perde terreno com a erosão de votos no partido socialista. CDU segura eleitorado, enquanto o Bloco arrisca passar para quinta força no Parlamento.
Com a abstenção abaixo dos 40%, a margem do PSD sobre o PS parece confortável. As intenções de voto estão ainda longe do limiar da maioria absoluta, mas garantem um avanço ao partido de Passos Coelho sobre a lista de José Sócrates.
Nesta sondagem, o PSD surge com um valor central de 36,3%, mas o limite superior pode aproximar-se dos 40% (39,6%). O cenário mais desfavorável para Passos Coelho aponta para 32,8%. Por seu lado, as intenções de voto nos socialistas indicam 30,1%, sendo o cenário mais favorável 33,4% e o mais desfavorável 26,8%. A próxima legislatura terá uma maioria de direita e, uma vez que Passos Coelho recusa uma coligação com Sócrates, o próximo Governo será uma nova reedição da Aliança Democrática. Paulo Portas, depois do Ministério da Defesa, voltará ao Executivo.
O reforço de votos do CDS significa um reforço do peso político deste partido, que já representa um terço dos votos do seu parceiro na futura coligação governamental.
A esquerda perde as eleições, e o Bloco, que em 2009 esteve perto de disputar o terceiro lugar, desce para quinto. Sócrates e Louçã arriscam ser os maiores derrotados.
FICHA TÉCNICA
Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 1200 entrevistas efectivas: 566 a homens e 634 a mulheres; 278 no interior, 484 no litoral norte e 438 no litoral centro sul; 344 em aldeias, 398 em vilas e 458 em cidades. Proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.
Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido entre os dias 29 de Maio e 1 de Junho de 2011, com uma taxa de resposta de 76,7%.
Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 1200 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,014 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 2,8%).
Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz. 
Dos inquiridos que manifestaram intenção de votar houve 6,7% de indecisos. A distribuição desses 6,1% foi efectuada com base em várias perguntas: uma sobre a hesitação entre votar e não votar; outra, para os que mantiveram a intenção de ir votar, em que foi perguntado de novo em quem admitiam votar. Para os que não responderam a esta última pergunta foi utilizada uma outra questão relativa à actuação dos diferentes líderes partidários.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pedro Pires abre portas à abstenção

A primeira pessoa do singular do perfeito do indicativo do verbo heuriskein é Eureka, que significa “encontrar”. Hoje, tal palavra, é rotineiramente utilizada para registar uma descoberta, um achado ou o término de uma busca.

Pedro Pires  abre portas à abstenção

Quiçá, à semelhança de Arquimedes quando descobriu que o volume de um corpo pode ser determinado a partir da quantidade de água movida com a submersão do mesmo, o Presidente da República, Senhor Pedro Pires, deu o grito de “Eureka!” quando marcou as eleições para 7 de Agosto. Além de ter encontrado a data ideal, no seu entendimento pôs também termo a um processo que vinha gerando algumas especulações.
Contudo, a data escolhida tem dado azo a sobeja controvérsia, por se entender que coincide com o período das férias caracterizado por uma grande mobilidade de eleitores, o que poderá ditar uma menor participação nas eleições, isto é, pode concorrer para uma alta taxa de abstenção.
Correm rumores de que uma das razões que impenderam na escolha do Presidente da República é o facto de, uma vez que completou cinco anos do seu mandato em Março passado, ele querer evitar que a sua decisão possa ser interpretada como um acto de continuar no poder por mais alguns meses em resultado das prerrogativas advindas da última revisão constitucional.
A Constituição reza no nº2 do seu artigo 112 que "Salvo nos casos de vacatura do cargo, a eleição não poderá realizar-se nos cento e oitenta dias anteriores ou posteriores à data das eleições para a Assembleia Nacional" e acrescenta ainda no nº 3 do mesmo artigo "que para dar cumprimento ao disposto na segunda parte do número antecedente, observar-se-á o seguinte: a) Se a eleição para a Assembleia Nacional estiver prevista para data anterior à do Presidente da República, o mandato deste será prorrogado pelo tempo necessário".
O artigo supra-citado atesta claramente que o Presidente da República tinha o respaldo constitucional mais do que suficiente para não ter os infundados receios contidos nos rumores atrás mencionados.
Por outro lado o código eleitoral no seu Capítulo V (Marcação das Eleições), no nº2 do artigo 89 estipula que "As eleições só podem ser realizadas em dia domingo ou em dia feriado nacional".
Conjugando estes dois artigos e em consequência das legislativas terem ocorrido a 6 de Fevereiro, o Presidente da República tinha que marcar a data do pleito presidencial num domingo ou feriado a partir do dia 5 de Agosto, que é uma sexta-feira, altura em que se completam seis meses sobre as legislativas. Entretanto, o nosso Presidente, com todo o mecanismo de defesa do seu lado, conforme atestam os artigos atrás mencionados, para com legitimidade escolher a melhor data para as próximas eleições Presidenciais, decidiu escolher o domingo imediatamente a seguir à completude dos seis meses relativamente às legislativas, isto é, apenas dois dias depois, 7 de Agosto de 2011.
A prerrogativa da escolha da data é-lhe reservada pela Constituição. Contudo, tal não pode servir de impedimento para que não se discuta se os critérios subordinados à mesma são os melhores ou não. E digo-o aqui: a escolha feita não pode deixar de ser criticável! É de questionar, sem rodeios, se é uma boa data ou não.
No que tange aos critérios que devem estar subjacentes a esta escolha existe um que tem de ser a mãe e servir de chapéu para a decisão em causa, pois a escolha da data das eleições devia comportar o desejo de contribuir para uma maior participação dos eleitores dado que a qualidade de uma democracia está imperativamente associada ao grau de participação dos eleitores.
Também, no que tange à aferição da qualidade da democracia, uma das dimensões a ter em conta é a igualdade de oportunidades de participação política. Trago à liça esta questão porque entendo que são notórias as desigualdades reais de distribuição de oportunidades de participação no processo político com que a diáspora cabo-verdiana tem convivido, mormente nas questões da organização do processo eleitoral.
Existem estímulos de vária ordem, bastante evidentes, que têm potenciado discriminações que dificultam a participação dos nossos imigrantes na vida política da nação Cabo-verdiana. Como é consabido, o mês de Agosto é o mais procurado pelos nossos conterrâneos para fruírem as suas férias em Cabo Verde, pelo que iremos ter pela altura das eleições presidenciais muitos dos nossos imigrantes deslocados relativamente ao círculo onde estão recenseados o que, naturalmente, os irão impedir de exercer o seu direito de voto e consequentemente confluir para o engrossamento da taxa de abstenção.
Com isto, devemos concluir que o actual Presidente da República, que em tempos idos, quando ainda era Primeiro-Ministro no regime de partido único, alcunhou os imigrantes de estrangeirados, agora, na democracia, com a escolha do dia 7 de Agosto para a realização do pleito eleitoral que irá indicar o seu sucessor, está a dar uma grande machadada na qualidade da nossa democracia e a nele impedir que haja uma efectiva participação da nossa diáspora, que curiosamente tem decidido estas eleições, pelo menos, as duas em que tomou parte.
Neste caso, ao que parece, o Presidente da República, por razões que a razão desconhece, foi muito expedito, diria muito apressado, em antecipar as eleições para o primeiro dia permitido por lei no prazo que tinha ao seu dispor, o que me leva a citar um adágio popular muito usado pelo meu amigo Juvenal Amarante segundo o qual "as cadelas apressadas parem cães cegos".
É responsabilidade e obrigação de todos os actores políticos zelarem para que a qualidade da nossa democracia faça um percurso em crescendo. Igualmente, não se pode dar margem para que os imigrantes, peça essencial no desenvolvimento de Cabo Verde, se sintam marginalizados nos seus direitos mesmo quando quem decide tenha do seu lado o amparo da legitimidade e da legalidade.