segunda-feira, 5 de março de 2012

FIFA aprova véu e tecnologia no futebol 05 Março 2012

 

A tecnologia será incluída no futebol a partir do segundo semestre de 2012, anunciou a FIFA neste fim-de-semana. Após uma reunião em Surrey, Inglaterra, a entidade que rege o futebol mundial aprovou ainda a por unanimidade a adopção de véus por mulheres por uma questão de religião.

FIFA aprova véu e tecnologia no futebol
 
Sobre a tecnologia no futebol, o secretário geral da Associação de Futebol da Inglaterra (FA) Alex Horne, afirma. “É um avanço importante para nós, mas é igualmente importante que implementemos a tecnologia corretamente. O sistema deve ser preciso, do contrário não vale a pena tê-lo, mas estamos muito confiantes de que a tecnologia está passando nos testes. A nossa expectativa, uma vez que as empresas atendam aos critérios, é de aprovar o uso dos sistemas no dia 2 de Julho em Kiev, no Euro 2012”.
Os sistema que serão utilizados são a Hawk-Eye e a GoalRef, que oferecem métodos como reconhecimento óptico, câmeras, bolas especiais e campos magnéticos para avaliar golos irregulares.
Também o véu foi aprovado por unanimidade, mas ainda depende de estudos de questões de saúde e segurança para que seja oficialmente aceite. “Se as mulheres não podem jogar por conta do véu, nós da Fifa ficamos muito felizes em autorizá-las, para que as mulheres do mundo todo tenham acesso ao futebol”, comentou Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa depois da reunião de Surrey.

Putin vence as eleições na Russia 05 Março 2012

 

Vladimir Putin venceu as eleições presidenciais russas à primeira volta, segundo os resultados publicados hoje. O actual primeiro-ministro obteve 63,9% dos votos quando estão contados praticamente 100% dos boletins. "Ganhámos numa luta aberta e honesta", disse perante uma multidão de mais de 100 mil pessoas que se juntaram no centro de Moscovo para festejar a vitória do homem que vai continuar a mandar na Rússia.

A votação de Putin está, porém, abaixo da obtida na sua segunda eleição (mais de 70 %), mas não deixa de ser uma maioria absoluta, que o permitirá ser eleito sem segunda volta para um mandato de seis anos, a que, segundo a lei, se poderá seguir um outro. O candidato comunista, Gennadi Ziuganov, surge em segundo na votação, com 17,18 %, seguido de Mikhail Prokhorov e de Vladimir Jirinovski.
A eleição, que esteve desde sempre sob a suspeita de fraude, foi, segundo o chefe da campanha de Putin, "a mais limpa da História". Um inovador sistema de câmaras de vigilância foi instalado pelas estações de voto de todo o país, o que permitia, através da Internet, ver imagens da votação. E a polícia garantiu que não houve irregularidades graves. A oposição discordou.
Ontem, enquanto decorria a votação, enormes contingentes da polícia e forças militarizadas, com caravanas de carros celulares e blindados, espalhavam-se pelas ruas de Moscovo. Os grupos da oposição anunciaram que houve fraudes, e que se manifestariam em protesto. Em Moscovo, uma grande manifestação está marcada para hoje, na Praça Puchkin.

PAICV aposta na qualidade da gestão municipal 05 Março 2012

Qualidade da gestão municipal, forte participação e envolvimento dos cidadãos no processo de decisão dos municípios, melhor desempenho autárquico e criar um clima propiciador do debate de ideias, propostas e projectos. Essas são algumas das orientações saídas do encontro dos autarcas do PAICV- actuais eleitos e os candidatos às próximas eleições municipais.

PAICV aposta na qualidade da gestão municipal
O porta-voz do encontro, Arnaldo Andrade, disse que o PAICV vai apostar na qualidade da gestão autárquica, uma vez que o que se quer é um desenvolvimento harmonioso dos municípios. “O PAICV defende uma forte aposta no aumento da qualidade da gestão municipal, uma gestão que se adapte aos novos tempos, onde os municípios têm outras preocupações, desafios e projectos”, defende Andrade, avançando que isso só será possível com uma “forte participação” dos cidadãos nas decisões.
“Estamos fortemente engajados na ideia da participação e desenvolvimento da cidadania nos municípios, que os cidadãos tenham mais instrumentos de participação autárquico, na decisão do seu próprio destino, antes, durante e depois da vigência do poder local”, sublinha.
Sobre as eleições que acontecem no próximo Verão, Arnaldo Andrade avança que o PAICV pretende um clima propício para o debate de ideias, programas, projectos, onde o direito ao bom nome das pessoas nunca esteja em causa. “Não vamos às eleições para fazer baixaria, temos uma postura que defende que a política deve ser feita com elevação, com amor, solidariedade e competição sadia”, disse Arnaldo Andrade à RCV.
Por seu lado, o presidente do PAICV, José Maria Neves, defende a descentralização municipal, mas também que os municípios tenham mais poder, mais recursos, mais capacidades humanas e que apresentem as suas contas em tempo útil. JMN diz também que os municípios deverão ter a sua capacidade de gerar riquezas, criar parcerias público/privadas e cooperação.
O encontro deste fim-de-semana contou com a presença dos todos os candidatos do PAICV às eleições autárquicas deste ano, vereadores e eleitos municipais, que durante dois dias não só lançaram as estratégias para o escrutínio como também a agenda de transformação de Cabo Verde.

Estratégia de tenaz 05 Março 2012

Na edição on-line deste semanário, publicou-se dias atrás, uma peça intitulada “PR acusado de ingerência em assuntos do governo”. O corpo do artigo permite inferir que a “ingerência” terá sido declarações do Presidente da República sobre a data das eleições autárquicas, da competência do Governo, ouvidos os partidos políticos.

Por: Mário Matos

Estratégia de tenaz
Mas, em nosso entender, mais que esse quiproquó sobre competências de órgãos de soberania e a devida e necessária contenção que quem desempenha tão elevado cargo público deve ter, é uma enigmática frase de um Deputado do MpD, citada no mesmo artigo. Vale a pena transcrevê-la na íntegra: “O presidente devia esperar para depois de o governo ouvir os partidos para tecer considerações sobre as datas. É claro que para nós do MpD seria bom que as eleições fossem, de facto, antes do 5 de Julho, mas o PR, por uma questão ético-política não deveria antecipar o processo, denunciando a estratégia do MpD para as eleições”.
A interpretação destas declarações conduz-nos a questionamentos, se não conclusões deveras interessantes. Vejamos. Ficamos a saber que i) à estratégia do MpD convém que as eleições municipais se verifiquem antes do “5 de Julho; ii) que, pelo menos, há uma voz no MpD - e não será uma voz qualquer por ser a de um Deputado da Nação – que considera que houve uma falha “ético-política” do PR, mas, sobretudo, III) ficamos inteirados de que essa falha do PR“ denuncia a estratégia do MpD para as eleições”.
Sem dúvida que a cereja encimando o bolo é a frase final de que o PR, procedendo como procedeu, denuncia a estratégia do MpD. O que o Deputado do MpD quer significar com esta frase é que há uma estratégia autárquica do MpD e o Presidente da República está por dentro ou é parte?
A questão é tão grave – da eventualidade de o árbitro afinal jogar numa das equipas - que o MpD deve uma explicação pública aos cabo-verdianos e estranha-se que o PAICV e a UCID não tenham sequer mencionado tal facto. Para os que seguem com atenção o processo político cabo-verdiano já era mais que provável que, em ganhando Jorge Carlos Fonseca as eleições presidenciais, a tentação pela “estratégia da tenaz” iria ser forte: colocar a Maioria Governamental, entre o desgaste do PR e o desgaste da Oposição.
Já não é mais iludível que esta estratégia esteja em curso. Resta somente avaliar o arrojo que ela pode assumir. Ou seja, a “estratégia de tenaz” pode ter dois cenários: i) um, de curto prazo, diríamos, “revolucionário”, visando a criação de condições sociais e políticas que permitiriam ao Presidente da República declarar a existência de uma “crise institucional grave” (n. 2 do art.º 143º da CRCV) e que conduziria à dissolução do Parlamento e consequente marcação de eleições antecipadas; ou ii) um cenário de legislatura dito de “normalidade”, em que a Maioria Governamental e o seu líder ficariam sistematicamente entre dois fogos, do PR e da Oposição (esta no Parlamento e na acção política extraparlamentar), em desgaste permanente, chegando ao final do mandato exaustos e com a imagem erodida. Qualquer desses cenários implica resultados desastrosos do PAICV nas autárquicas, à semelhança da tentativa da liderança ventoinha de então aquando das eleições municipais de 2008, de impor o sentido da derrota do PAICV como avaliação negativa da governação pelo eleitorado, categoricamente desmentido quer por sucessivas sondagens quer, sobretudo, pelo histórico terceiro mandato posteriormente ganho nas urnas.
Mas, igualmente, qualquer destes cenários conta com a expectativa da Oposição da fragilização do PAICV e da sua liderança (no seu sentido estrito e colegial) pela continuação da di-visão revelada e agravada com os acontecimentos afectos às presidenciais de 2011.
O segundo cenário é o mais plausível até porque já em curso desde os primeiros momentos do consulado deste Presidente da República. É tomarmos algum tempo a fazer a retrospectiva das visitas aos Concelhos, logo após o empossamento e o regresso da deslocação privada ao exterior, (bisando o circuito que tinha acabado de fazer nas campanhas eleitorais), visando a criação de condições de produção de declarações de desgaste ao Governo; as declarações em relação a dados processos e casos políticos e institucionais, por vezes eivados de conflitualidade, nomeadamente no relacionamento entre câmaras dirigidas por equipas do MpD e o governo central em que, claramente o PR tem exercido o papel de jogador e não de árbitro; pronunciamentos na sequência de convenientes audiências a individualidades em que se mandam recados ao governo e ao Primeiro-Ministro (vide o caso do Maio…); declarações que lançam para a ribalta política a insinuação de que o governo/PM teriam “cartas na manga” em relação ao “verdadeiro” estado do país em matéria económica e financeira quando poderia ter interpelado directamente o PM nas suas reuniões semanais; uso integral, em pronunciamentos públicos, de expressões da autoria do líder do MpD na luta de imposição de sentido no campo político e, last but not least, o mais recente périplo por municípios, praticamente com eleições municipais às portas e a gafe de se pronunciar, antes do governo em matéria que é da competência deste, sobre a data mais indicada para a realização das eleições autárquicas.
Esta é a “estratégia da tenaz” (e de “água mole na pedra dura…”) a funcionar em pleno, em que, não poucas vezes, um PR palavroso, com enorme sede de protagonismo concorrencial ao do governo e do PM, assume, na prática, um discurso e postura de verdadeiro líder de Oposição. Será essa realidade que o Deputado do MpD revelou num lapsus linguae embaraçoso? Só terão dúvidas os que as que querem manter…
Do PAICV espera-se que reconstrua a sua coesão com base na intensificação do diálogo intramuros, na diferença sim, mas com o sentido de objectivos estratégicos, causas e princípios comuns; que dê o seu máximo para arrancar bons resultados nas autárquicas mas, sobretudo, pela necessidade de um novo patamar de intervenção municipal em matéria de políticas públicas locais mais ousadas e de mecanismos outros, para uma maior participação dos cidadãos na gestão autárquica; e que continue a governar para o bem comum, para resultados que façam ascender Cabo Verde a patamares cada dia mais avançados em matéria de Desenvolvimento e Democracia. Diria, em síntese, que o desafio maior do PAICV é reinventar-se e inovar na continuidade – nas causas de esquerda democrática, na boa governação, no aprofundamento e a consolidação da Democracia e no Desenvolvimento com justiça social, vigilante e combativo – custe o que custar - em relação à rotinização (da má rotina) e aos erros e vícios que, naturalmente, a governação num terceiro mandato também comporta.
Na coabitação, basta cumprir a Constituição da República, com elevado sentido de interesse público e do bem comum e com a devida inteligência para impor que governar Cabo Verde não é um jogo de azar.
Deste modo, a “tenaz” há-de se fragilizar por alguma das suas maxilas, senão em ambas…
Mário Matos

TACV já tem novo Conselho de Administração (Actualizado) 05 Março 2012

João Pereira Silva, presidente do Conselho de Administração da TACV, chamou dois quadros da diáspora, o engenheiro João Carlos Silva e o gestor Marco Pereira, para completar com ele o trio da nova equipa que vai gerir a transportadora aérea nacional nos próximos tempos. O governo já aceitou a proposta e deve anunciar a composição do novo CA da TACV esta segunda-feira, para na sexta conferir posse aos novos gestores.

TACV já tem novo Conselho de Administração (Actualizado)
O governo vai empossar ainda esta semana o novo Conselho de Administração da TACV, cuja composição ficou completa na passada quinta-feira em reunião dos accionistas. O ex-ministro da Economia, João Pereira Silva, que, conforme anunciado em primeira mão por A Semana, vai presidir o CA da companhia aérea nacional, foi buscar dois quadros à diáspora para formar a nova equipa gestora da TACV - engenheiro João Carlos Silva (diferentemente do escrito na primeira versão desta notícia) é um crioulo de São Vicente que viveu muitos anos na Inglaterra e está actualmente ao serviço da EuroAtlantic, companhia aérea charter ligada ao grupo Pestana; e Marco Pereira, um quadro que trabalha em Portugal, como gestor da Páginas Amarelas.
Este último, um filho de Santo Antão, será administrador Comercial e Financeiro, enquanto o engenheiro João Carlos Silva irá se ocupar da vertente técnica, o que não parece ser tarefa difícil tendo em conta a experiência que tem no sector enquanto técnico da Aeronautica Civil.
Tanto Marco Pereira quanto Carlos Silva foram uma escolha do próprio João Pereira Silva, que preferiu apostar nos dois quadros da diáspora para tentar levantar a TACV, cujas contas estão no vermelho desde há muito. “Pereirona não quis recorrer à prata da casa para evitar vícios na gestão da companhia. Com quadros de fora, eles podem tomar medidas sem correrem o risco de estarem a bater na mesma tecla que, pelos vistos, não tem resultado até agora para nossa companhia aérea de bandeira. Além disso, o novo PCA da TACV conta com a visão macro-económica de Marco Pereira para definir novas rotas e estratégias, sobretudo a nível regional, que farão crescer a TACV”, assevera uma fonte.
João Pereira Silva, João Carlos Silva e Marco Pereira deverão ser empossados nos respectivos cargos ainda esta semana, possivelmente na sexta-feira. O novo CA da TACV substitui a equipa liderada por António Neves, e que integrava ainda Georgina Mello e Carlos Lima. Neves está demissionário desde Março do ano passado, depois de entrar em conflito com a ministra das Finanças, Cristina Duarte. Em causa as contas da companhia, que António Neves exibia como um grande ganho de gestão, mas que não convenceram a governante.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Porto Novo: Visita do Presidente da República gera polémica 02 Março 2012

A visita do Presidente da República, esta semana, ao município do Porto Novo está a gerar polémica no concelho. O PAICV local veio, nesta quinta-feira, 1, através do porta-voz, Elísio Rocha, saudar a visita mas estranha que Jorge Carlos Fonseca tenha alinhado o seu discurso ao da Câmara Municipal, responsabilizando o governo pelos insucessos que acontecem no concelho em vez de se comportar como moderador e árbitro do sistema político cabo-verdiano.

Porto Novo: Visita do Presidente da República gera polémica
Elísio Rocha assevera que a visita do PR foi “programada pela Câmara Municipal do Porto Novo e acompanhada por uma comitiva do MpD local, enquanto os serviços desconcentrados do Estado no concelho foram ignorados para acompanhar a estada de Jorge Carlos Fonseca”.
“Em todas as localidades, os delegados municipais e líderes do MpD intervieram na presença do PR e este responsabilizou o governo pelos insucessos que acontecem no concelho e isentou a autarquia portonovense das suas responsabilidades, quando o ideal seria ter também a presença na visita dos chefes dos serviços desconcentrados do Estado, líderes associativos ou cidadãos comuns,” frisa Rocha.
O porta-voz do PAICV alega ainda que, se assim acontecesse, haveria opiniões isentas e se houvesse motivos, todos os poderes seriam responsabilizados, apesar de entender que o governo tem desempenhado o seu papel.
Elísio Rocha pontua ainda que a visita do PR ficou marcada pela “negativa, pois JCF reuniu-se no final da sua visita ao concelho num convívio apenas com pessoas afectas ao MpD, em vez de ter uma postura de convivência com pessoas ligadas a todos os partidos políticos em Porto Novo, facto que justifica que a política de proximidade prometida pelo Presidente não está a ter os efeitos desejados”.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O renascer do Estado-nação

                                          
Um dos mitos basilares da nossa era é o de que a globalização condenou o Estado-nação à irrelevância. Ouvimos dizer que a revolução nos transportes e comunicações fez desaparecer fronteiras e encolheu o mundo. Os novos modos de governação que vão das redes transnacionais de reguladores até às organizações internacionais da sociedade civil e às instituições multilaterais estão a transcender e a suplantar os legisladores nacionais. Diz-se que os responsáveis políticos internos se sentem bastante impotentes perante os mercados globais.
A crise financeira mundial abalou este mito. Quem socorreu os bancos, injectou liquidez, promoveu incentivos fiscais e estabeleceu as redes de segurança para os desempregados, para impedir uma catástrofe crescente? Quem está a reescrever as regras de fiscalização e a regulamentação do mercado financeiro para evitar outro incidente? Quem recebe a maior parte da culpa por tudo o que corre mal? A resposta é sempre a mesma: os governos nacionais. O G-20, o Fundo Monetário Internacional e o Comité de Basileia de Supervisão Bancária têm sido, em grande parte, elementos marginais.

Mesmo na Europa, onde as instituições regionais são relativamente fortes, o interesse nacional e os políticos nacionais, em grande parte, na pessoa da chanceler alemã, Angela Merkel, têm dominado a definição de políticas. Se a chanceler Merkel se tivesse mostrado menos apaixonada pela austeridade para os países endividados da Europa e se tivesse conseguido convencer os seus eleitores da necessidade de uma abordagem diferente, a crise da zona do euro teria tido contornos bastante diferentes.

No entanto, mesmo com a sobrevivência do Estado-nação, a sua reputação está a ruir. O assalto intelectual ao Estado-nação assume duas formas. Na primeira, há a crítica de economistas que consideram que os governos são um impedimento à livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas por todo o mundo. Impeça-se a intervenção dos responsáveis políticos nacionais com os seus regulamentos e barreiras, dizem eles, e os mercados globais cuidarão de si próprios no processo de criação de uma economia mundial mais integrada e eficiente.

Mas quem vai ditar as regras e a regulamentação do mercado, se não os Estados-nação? O laissez-faire é receita para mais crises financeiras e para um maior retrocesso político. Além disso, seria necessário confiar a política económica a tecnocratas internacionais, isolados como estão dos incentivos e desincentivos da política – uma posição que circunscreve seriamente a democracia e responsabilidade política.

Em suma, o laissez-faire e a tecnocracia internacional não fornecem uma alternativa plausível ao Estado-nação. Na verdade, a erosão do Estado-nação, em última análise, é pouco benéfica para os mercados globais enquanto não existirem mecanismos viáveis de governança global.

Na segunda forma existem especialistas em ética cosmopolita que condenam a artificialidade das fronteiras nacionais. Como afirmou o filósofo Peter Singer, a revolução das comunicações gerou uma "audiência global" que cria a base para uma "ética global". Se nos identificamos com a nação, a nossa moral permanecerá nacional. Mas, se cada vez mais nos associarmos ao mundo em geral, as nossas lealdades irão igualmente expandir-se. Da mesma forma, o Nobel da Economia, Amartya Sen, fala das nossas "múltiplas identidades" – étnicas, religiosas, nacionais, locais, profissionais e políticas, muitas das quais atravessam fronteiras nacionais.

Não está claro que uma parte disto tenha por base um optimismo exacerbado e que outra parte seja baseada em mudanças reais de identidades e ligações. As pesquisas mostram evidências de que a ligação ao Estado-nação continua a ser bastante forte.

Há alguns anos, a associação World Values Survey inquiriu os entrevistados em dezenas de países sobre a sua ligação às comunidades locais, às nações e ao mundo em geral. Não é de admirar que aqueles que se viam a si mesmos como cidadãos nacionais ultrapassavam em muito aqueles que se consideravam cidadãos do mundo. Mas, surpreendentemente, a identidade nacional ensombrava até a identidade local nos Estados Unidos, Europa, Índia, China e na maioria das outras regiões.

As mesmas pesquisas indicam que as pessoas mais jovens, as que têm qualificações mais elevadas, as que se identificam a si mesmas como classe superior, têm mais tendência a associar-se com o mundo. No entanto, é difícil identificar qualquer segmento demográfico cuja ligação à comunidade global supere a ligação ao país.Por muito grande que tenha sido o decréscimo nos custos das comunicações e transportes, não apagou a geografia. A actividade económica, social e política continua a agrupar-se com base em preferências, necessidades e trajectórias históricas que variam em redor do globo.

A distância geográfica é um determinante de intercâmbio económico tão forte como era há 50 anos. Afinal, nem mesmo a Internet é tão desprovida de fronteiras quanto parece: um estudo descobriu que os americanos têm muito mais tendência a visitar sites de países que estão fisicamente próximos do que de países que estão longe, mesmo após as medidas de controlo de linguagem, rendimentos e muitos outros factores.

O problema é que ainda estamos sob o domínio do mito do declínio do Estado-nação. Os líderes políticos alegam impotência, os intelectuais sonham com esquemas implausíveis de governança global e os perdedores culpam cada vez mais os imigrantes ou as importações. Quando se fala sobre a reabilitação do Estado-nação, as pessoas respeitáveis correm a esconder-se, como se estivéssemos a propor reavivar a peste.

Para ser mais preciso, a geografia de ligações e identidades não é fixa, na verdade, tem mudado ao longo da história. Isso significa que não devemos descartar totalmente a possibilidade de que uma verdadeira consciência global se venha a desenvolver no futuro, em conjunto com comunidades políticas transnacionais.

Mas os desafios actuais não podem encontrar respostas em instituições que (ainda) não existem. Por enquanto as pessoas ainda têm de procurar soluções nos seus governos nacionais, que permanecem a melhor esperança para a acção colectiva. O Estado-nação pode ser uma relíquia que nos foi legada pela Revolução Francesa, mas é tudo o que temos.