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terça-feira, 29 de março de 2011

CURIOSIDADES: As duplas do governo

Um não chega. E dois, desta vez, basta. O primeiro-ministro chamou os nomes para formar o seu novo governo e parece que fez eco. Disse Cristina e apareceram duas: a Fontes Lima e a Duarte, damas-de-ferro do seu executivo e ambas da Praia. Para defender o país dos estrangeiros, preferiu os Jorges, Tolentino e Borges, o primeiro à defesa e o segundo ao ataque – ambos diplomatas. E há as Fernandas: a Marques e a Fernandes, uma a formar quadros aqui e a outra a ir buscá-los à Diáspora – ambas vieram da Diáspora. E claro, um José Maria não chega para levar todo o país a expandir-se além mares, daí outro José Maria, o Veiga, para construir e explorar o Atlântico – ambos são de Santa Catarina. Outra dupla: Felisberto Vieira e Humberto Brito são os únicos canhotos do governo. Porque será?

CURIOSIDADES: As duplas do governo

Sidónio vai ser embaixador

 

Sidónio Monteiro, deputado pelo círculo das Américas e ex-ministro das Comunidades, pode ser o novo embaixador de Cabo Verde no Reino de Espanha. Washington é outra opção, bem mais conveniente, digamos. O convite surgiu na sequência de um encontro que aconteceu esta semana entre o primeiro-ministro, José Maria Neves, e aquele ex-governante. Este é um dos primeiros resultados das intensas negociações que José Maria Neves vem encetando esta semana com os rebeldes e descontentes do seu partido no sentido de apaziguar os ânimos internos, bastante exaltados.

Sidónio vai ser embaixador 
 
A representação diplomática da cidade da Praia junto do Reino de Espanha ficou sem titular com a vinda de Jorge Tolentino para o governo, enquanto ministro da Presidência do Conselho de Ministros e da Defesa Nacional. A missão de Cabo Verde nos EUA tem desde 2006 a diplomata de carreira Fátima Veiga, como embaixadora, quase em fim de mandato. Ao sondar Sidónio Monteiro sobre a eventualidade de ele ser embaixador de Cabo Verde, o chefe do Governo não terá precisado a representação diplomática que lhe vai oferecer, mas durante as conversações ter-se-á excluído a hipótese África. Espanha ou América, eis a questão.
Washington estaria mais ao gosto do ex-
 ministro das Comunidades. É que, enquanto deputado eleito pelo círculo das Américas, Sidónio conhece bem os problemas e os anseios da comunidade cabo-verdiana radicada naquele país norte-americano. Ali, segundo as nossas fontes, Monteiro pode movimentar-se com facilidade, mobilizando recursos para o nosso país, quer nos meios diplomáticos quer junto dos emigrantes.
Mas, caso seja necessário e urgente, Sidónio Monteiro não descarta a possibilidade de assumir o cargo de embaixador de Cabo Verde em Espanha, um posto aliciante, dado o franco crescimento que conhecem as relações económicas e políticas entre os dois países. Sidónio que domina a língua espanhola, pois fez os seus estudos em Cuba, além de ser um bom sucessor de Jorge Tolentino, não teria que esperar muito para ocupar o posto, que está vago e precisa urgentemente de um embaixador para seguir os vários projectos em curso ou a arrancar brevemente nos domínios da pesca, indústria de frio, ciência e inovação.
Como médico especialista em urologia, voltar à carreira médica como quadro do Mistério de Saúde, que completaria com uma clínica privada na sua especialidade é outra hipótese que esse dirigente do PAICV, ex-ministro e deputado não põe de parte, caso as propostas de embaixador ficarem pelo caminho. Para a nossa fonte, do ponto de vista financeiro, esta iniciativa será muito mais vantajosa do que assumir uma das embaixadas referidas.
Enfim, com esse convite do primeiro- ministro, Sidónio Monteiro continua a ser uma peça importante do sistema PAICV, apesar de ter ficado fora do governo.

Peixe mais caro no Cais da Praia

O peixe escasseia no Cais da Praia. É que o tempo ventoso dos últimos dias faz com que os pescadores não se aventurem para o mar largo. E quando decidem sair para a faina voltam desanimados, com quase nada nos botes.. O preço do peixe está por isso mais caro e não aumentou só no cais, também está proibitivo nos mercados e nas tinas das rabidantes que circulam pela cidade.

Peixe mais caro no Cais da Praia 
 
Quem passar por estes dias pelo Cais de Pesca da Praia certamente vai deparar com um cenário insólito na vida de um ilhéu: pouco peixe, e muito mais caro. Motivo: o peixe, elemento-chave na dieta do cabo-verdiano, está na hora da morte. Uma cavalinha, que antes custava entre 20 e 40 escudos, é vendida agora por 50, chegando muitas vezes a 70 escudos. O atum, que já foi vendido a 200 escudos/kg, quando há, custa o dobro, 400 escudos, um aumento de 100%, soube asemanaonline no local.
Até a moreia, cujo quilo rondava os 300, 350 escudos, está a ser vendida agora por 400 escudos. A garoupa média também aumentou 50 escudos, de 200 passou 250 escudos a unidade. Um chicharro custa agora entre 40 e 60 escudos, quando normalmente não passa de 30 escudos, quarenta o máximo. Já a Dobrada, outro peixe "democrático" no menu cabo-verdiano, há muito que ninguém lhe põe os olhos em cima, dizem os pescadores. Quando aparece esfuma-se do cais num instante, mesmo com o preço a doer nos bolsos. “Ainda assim está barato”, observam as peixeiras, avisando, entretanto, que se as coisas continuarem assim, o preço pode disparar ainda mais.
Esta escassez de peixe no Cais da Praia é justificada pelo tempo instável, com algum vento, que se faz sentir nos últimos meses. É caso para dizer que o mar não está para peixe. Mais: a subida do preço dos combustíveis também está a pesar no preço. É que além de comprar o gelo, dizem os pescadores, também têm de encher o seu depósito. Ainda assim, Joaquim Soares avança à nossa reportagem que mesmo com a falta de peixe nestes dias, os pescadores não variam muito o preço no cais. “São as peixeiras que aumentam o preço já que a procura é muita e a oferta, pouca”, constata.