domingo, 20 de março de 2011

"ODISSEIA AMANHECER"

Coligação ataca alvos militares em Trípoli


A coligação internacional continuou pela noite a atacar as posições do contestado líder líbio Muammar Khadafi, com várias explosões a serem reportadas durante a madrugada perto da capital, Trípoli, por volta das 2h30 locais. Mas a manhã revela-se agora “relativamente calma, com o trânsito a rolar como normal, embora o ambiente esteja muito tenso”, foi observado pelo correspondente da BBC Allan Little.
As autoridades líbias contavam a morte de pelo menos 48 civis nesta primeira fase da missão da comunidade internacional – a “Odisseia Amanhecer” – a que se somam mais de 100 feridos; segundo o regime são na esmagadora maioria civis apanhados pelos bombardeamentos dos aliados internacionais. Este número de vítimas mortais acabou por ser actualizado em alta para as 64 por um responsável de saúde do regime líbio: "Houve pessoas que morreram devido aos seus ferimentos", explicou.

O canal norte-americano CBS noticiou entretanto que três bombardeiros dos Estados Unidos B-2 lançaram esta manhã pelo menos 40 bombas convencionais sobre vários alvos incluindo uma das maiores bases aéreas de Khadafi – a informação foi já confirmada pelo Pentágono, mas sem especificar quais foram os alvos destes raides. O correspondente da CNN alertava, a partir de Trípoli, que foram ouvidas três enormes explosões num campo militar aéreo alguns quilómetros para leste da cidade.

Já esta manhã, o chefe de estado-maior interarmas norte-americano, almirante Mike Mullen, avaliou que os esforços de guerra feitos desde ontem pelos aliados conseguiram já “estabelecer efectivamente uma zona de exclusão aérea” na Líbia e “bloquear a ofensiva” de Muammar Khadafi contra o bastião dos rebeldes na Líbia Oriental, a cidade de Bengasi.

“As operações correram muito bem. Ele [Khadafi] não pode pôr a voar nenhum helicóptero nem nenhum avião nos últimos dias. Por isso, de facto, foi posta em campo a zona de exclusão aérea”, afirmou em entrevista ao programa “Meet the Press”, do canal NBC.

O ministro da Defesa britânico confirmou por seu lado esta manhã que os aviões britânicos estiveram já também no ar, atacando os sistemas de defesa aérea do regime durante a noite em volta de Trípoli. Os caças britânicos Tornado voaram directamente da base da Royal Air Force em Marham, tendo disparados vários mísseis Stormshadow.

Mais aviões dos aliados internacionais – depois dos franceses e britânicos que estiveram a actuar desde a tarde até noite dentro – vão hoje mesmo posicionar-se em bases no Mediterrâneo para participar na operação: nomeadamente do Canadá, Dinamarca e Espanha, devendo hoje mesmo entrar em acção, de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé.

“Os raides [da coligação] vão continuar até que Khadafi pare de atacar os civis, retire as suas tropas das áreas [populacionais] em que entraram e permita aos líbios expressarem as suas aspirações à democracia”, afirmou o chefe da diplomacia francesa. O ministro da Defesa dinamarquês, Gitte Lillelund Bech, frisou por seu lado que “esta acção militar não tem por objectivo matar Khadafi, antes que se consiga apanhá-lo e levá-lo ao Tribunal Penal Internacional, o qual o deverá julgar”.

Aos aviões juntam-se os meios marítimos, com uma série de barcos britânicos e norte-americanos que mantiveram sob um ataque cerrado de mísseis as posições de Khadafi na costa da Líbia. Só nas primeiras horas da operação ontem, depois de um avião francês fazer o primeiro raide aéreo às 16h45, navios de guerra e submarinos lançaram mais de 100 mísseis Tomahawk sobre um total de 20 alvos de Khadafi em volta de Trípoli e Misurata. O porta-voz do exército dos Estados Unidos, coronel Franklin Childress, avançou que estes mísseis de cruzeiro deverão continuar a ser utilizados durante a missão.

Forças de Khadafi retomam bombardeamentos de Misurata

Mesmo com a “Odisseia Amanhecer” em pleno curso, o regime líbio não dá sinais de suspensão dos combates – apesar de ter chegado a declarar ontem, por algumas horas, um cessar-fogo sem jamais ter, porém, posto termo por completo aos bombardeamentos sobre as cidades “libertadas” pela rebelião.

Pelo contrário, em renovado desafio, o Governo líbio prepara-se para distribuir "armas por mais de um milhão de homens e mulheres nas próximas horas", de acordo com a agência noticiosa estatal Jana.Misurata, posição isolada dos rebeldes no oeste da Líbia, a 200 quilómetros de Trípoli, voltou a ser alvo de disparos de artilharia pesada desde a noite de ontem, prosseguindo pelas primeiras horas de hoje. “Ouvimos os bombardeamentos e as milícias de Khadafi estão a entrar na cidade e a tomar posições na avenida principal que conduz ao centro. Há tanques por todo o lado e atiradores furtivos no cimo dos telhados”, relata à BBC uma farmacêutica em Misurata.

Um médico da mesma cidade relatou por seu lado à agência noticiosa Reuters que tropas leais a Khadafi estão desde ontem a mover os corpos das pessoas mortas nos combates entre as forças do regime com os rebeldes para áreas que foram alvo dos raides da coligação internacional.

De Bengasi chegam relatos de alguns combates em alguns dos subúrbios ocidentais da cidade durante esta manhã, entre os rebeldes e as forças de Khadafi. Depois dos intensos bombardeamentos da artilharia do regime durante os últimos dois dias, fontes da rebelião registam que morreram pelo menos 94 pessoas.

A estrada que chega a Bengasi desde Ajdabiya, a 160 quilómetros para sudoeste, é hoje um fio de veículos blindados e armados de Khadafi totalmente carbonizados, depois dos raides aéreos feitos na véspera pela coligação internacional, tendo o correspondente da Reuters visto os corpos de pelo menos 14 soldados do regime.

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